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Justificativa

 Apesar de a sociedade ilheense apoiar a preservação do mero-canapu, ainda há registros de captura de meros na costa do município. Para reverter essa situação, as medidas de proteção a serem tomadas devem ser amplas e possuir um caráter emergencial. Uma das alternativas para se chegar a isto seria pela transformação do modo como a sociedade se apropria do recurso.

Até o momento, a apropriação dos mero-canapu pela sociedade em Ilhéus, segue os padrões do que ocorre em praticamente todo restante da costa brasileira. Trata-se de uma atividade extrativista, baseada na captura de um recurso pesqueiro.
A oportunidade de preservação do estoque está na possibilidade de conscientizar a sociedade de que o recurso é mais valioso vivo do que morto. O turismo submarino é uma das atividades esportivas que mais cresceram no mundo nas últimas décadas. Mergulhar ao lado de um mero é um grande atrativo para qualquer mergulhador. Com a criação de um parque marinho as comunidades tradicionais poderiam ser capacitadas para prestar serviços a mergulhadores e outros turistas, apropriando-se assim do recurso “mero”, sem a necessidade de capturá-lo.
Essa estratégia, porém, para ser eficaz necessita de rigor científico desde os estágios iniciais da criação do parque marinho. Caso contrário, não há garantias que ela atinja seus objetivos de preservação e ainda evite impactos sobre as atividades humanas desenvolvidas no entorno.
A implantação de um parque marinho é uma das estratégias mais adotadas para a conservação de recursos pesqueiros em todo mundo. Para que elas sejam efetivas, no entanto, seu desenho espacial deve garantir que as espécies de inte­resse completem seus ciclos de vida, incre­mentando sua biomassa e disseminando-se para áreas não protegidas.
No caso de Ilhéus, pretende-se proteger o local de reprodução de uma população de espe­cífica. A efetividade do desenho espacial do parque depende da inserção dos locais de agregação reprodutiva em zonas de exclusão, as quais devem estar cercadas por zonas de amortecimento onde as atividades humanas são seletiva­mente controladas, conforme seu impacto potencial sobre as zonas de exclusão.
Para alcançar esse ideal, contudo, é necessário conhe­cer as características ambientais essenciais dos habitas marinhos preferidos pela espécie para a reprodução. A literatura cien­tífica sobre ecologia e comportamento do E. itajara na área de estudo, porém, é escassa. Portanto o co­nhecimento ecológico tradicional, adquirido por pescadores geração após geração, é a alternativa mais viável para obter tais informações.
Com base nestes conhecimentos, é possível inferir as características ambientais que de­terminam os habitats de reprodução, assim como a importância desses habitats para o homem. Assim, as zonas de conflito e as atividades humanas mais impac­tadas pela criação do parque poderão ser identi­ficadas. A organização de tais informações é a essencial para um desenho espacial adequado, capaz de garantir a eficiência do parque marinho na preservação do mero-canapu e, ao mesmo tempo, minimizar os conflitos com a pesca e outros usos desenvolvidos na área.
 

 

 

Parceiros
Universidade Estadual de Santa Cruz  LAPA - Laboratório de Analises e Planejamento Ambiental   Fapesb  SOS Mata Atlântica  Floresta Viva Prefeitura de Ilhéus - Secretaria de Meio Ambiente