Até recentemente, os temas ligados à Computação de Alto Desempenho estavam restritos a poucas áreas da academia e a poucas instituições que podiam adquirir máquinas especialmente desenhadas para prover performance e disponibilidade. Com a necessidade estratégica da indústria de processadores em investir em estruturas multi-núcleo (multicore), e mesmo antes, com a emergência dos "clusters", máquinas paralelas que podem ser montadas a partir de unidades não-especializadas, mais acessíveis a instituições de menor porte, cada vez mais aplicações comerciais e acadêmicas foram adaptadas de maneira a aproveitar as vantagens de estruturas computacionais paralelas, distribuídas geograficamente (GRIDS), para melhor resolver os problemas em que são aplicados. Esta mudança de ambiente oferece ao mesmo tempo uma necessidade e uma oportunidade para pesquisadores envolvidos em computação nas várias ciências atendidas por recursos computacionais e que demandam maior eficiência. Oferece também uma oportunidade de negócios a empresas fornecedoras de equipamentos computacionais, especialmente os de missão crítica (servidores).

A Bahia tem crescido nas áreas de ciência e engenharia de computação, tem pesquisadores de outras áreas que "consomem" C.A.D. e abriga empresas que já oferecem produtos voltados para C.A.D. (como o caso da ACCEPT, instalada no Pólo de Informática de Ilheús) e outras que poderiam investir neste mercado, além de ter unidades da Petrobrás, o que poderia justificar parcerias no desenvolvimento de capacidades nesta tecnologia. O estado ainda não tem nenhuma instituição de ensino e pesquisa com massa crítica para a criação de uma pós-graduação stricto sensu neste tema e mesmo inexiste qualquer pós-graduação lato sensu para a formação de especialistas neste setor, o que dificulta o estabelecimento e o crescimento de qualquer iniciativa, pela carência de material humano especializado.

Sendo este um tema multidisciplinar, faz-se bastante oportuna a coordenação de esforços nesta área para promover o crescimento e a troca de informações entre as instituições de ensino e pesquisa do estado no sentido da formação de competências e na aplicação destas tecnologias.

A UESC teve aprovada pela FINEP (e está em processo de instalação) um equipamento bastante promissor para a a realização de cálculos utilizando uma mistura de computação paralela com memória compartilhada (os "processos" diferentes acessam os mesmos espaços de memória) e memória distribuída (os pocessos acessam apenas um banco de memorias particular, podendo trocar informações entre si através da rede). Trata-se do Projeto do Centro de Armazenamento de Dados e Computação Avançada da UESC (C.A.C.A.U.). A máquina em questão conta com um cluster interno com 20 nós bi-processados, sendo cada processador um Xeon Quad-Core (4 núcleos, perfazendo 8 por servidor), com 2Gb de memória RAM por núcleo, num total de 160 núcleos, com capacidade estimada de 1,7 TFlop (1 trilhão de operações de ponto flutuante por segundo), o terceiro mais poderoso do norte-nodeste do país. Esta capacidade de pico pode ainda ser dobrada com a aquisição de um nó experimental composto de várias GPU's (processadores especializados das placas de vídeo, essencialmente computadores vetoriais com 128 núcleos internos, cada), que serviria como acelerador matemático para o cluster. O C.A.C.A.U. ficará abrigado no Núcleo de Biologia Computacional e Gestão de Informações Biotecnológicas (NBCGIB-UESC), que é um espaço voltado para o trabalho em rede, na Bahia, envolvendo Bioinformática, um dos setores consumidores de C.A.D..

Esta máquina está sendo adquirida para suprir as necessidades de armazenamento do dados das pós-graduações e grupos de pesquisa de todo o setores da UESC, email e outras funções, além das necesidades de C.A.D. dos grupos, esencialmente das áreas de exatas. Também prevê, em seu projeto original, o estabelecimento de parcerias com outras instituições no Brasil ou no exterior. Seria extremamente oportuno aproveitar a existência de tal equipamento para iniciar uma colaboração interinstitucional com a finalidade de sedimentar o setor de C.A.D. no estado, evitando a fragmentação de esforços e falta de cooperação tão característicos de vários setores da academia no Brasil. Para tal a UESC interligou-se recentemente à RNP (Rede Nacional de Enino e Pesquisa, que provê interconexão de alta velocidade entre as instituições do Brasil) com link de 52Mbits.

Por ocasião da organização do I WCADBA, firmou-se um consenso da necessidade de criação da Rede C.O.C.A.D.A., envolvendo ações de pesquisa conjunta, troca de informações e formação de pessoal. Para tal é necessário que os membros da Rede tenham facilidades de mobilidade e uma infra-estrutura mínima de trabalho em suas instituições. A proposta inovadora de uma especialização em rede, com residência durante o estágio inicial dedicado às disciplinas, também faz parte integrante da formação desta Rede, provendo desde já o trabalho unificado de formação de competências na Bahia, também como atividade fortalecedoa de parcerias entre as instituições. O cluster do C.A.C.A.U é hoje o principal equipamento de C.A.D. sendo instalado no estado. No futuro próximo, esperamos que seja sempre atualizado, mas caminhando para ser mais uma máquina dentro de uma rede de várias máquinas sendo operadas por pessoal de alto nível e aumentando a competitividade da Bahia neste setor estratégico para virtualmente todas as áeas do conhecimento.

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